quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ninguém é feito um para o outro


Uma vez deixei no carro de um ex-namorado, na época namorado, um CD com apenas uma música gravada: “Nós somos feitos um para o outro”, do Lulu Santos. Para não perder todo o sentido da declaração de amor, escrevi no cd “Preste atenção”. É claro que ele adorou! Escutou a música 500 vezes sozinho. E mais outras 500 vezes comigo.

O mais engraçado é que tinha a certeza de que realmente éramos feitos um para o outro. Não imaginei brigas. Não imaginei distância. E, na minha mente, estaríamos juntos na alegria e na tristeza, para sempre!

Sabe que na real, um ser a tampa e outro a panela, é apenas poesia. É lindo, mas pura poesia.

É como se o pingüim não pudesse existir sem a geladeira. Ou vice-versa. E o bidê sem o vaso sanitário. Ou o contrário. Quanta besteira!

Ainda existe bidê por aí?




É um fato conhecido!

Você não se apaixona por alguém.

Você não se apaixona pela pessoa real.

Você se apaixona pela pessoa de sua imaginação.

E enquanto vocês não vivem juntos, e você vê o outro da sua sacada...

Ou você o encontra na praia por alguns minutos, ou você segura suas mãos no cinema, você começa a sentir:

“Somos feitos um para o outro”.

Mas ninguém é feito um para o outro.

Você vai projetando mais e mais imaginação sobre o outro, inconscientemente.

Você cria uma certa aura em torno dele e ele cria uma certa aura em torno de você.

Tudo parece ser lindo, porque você faz tudo parecer lindo, sonhando, evitando a realidade.

E ambos ficam sonhando, tentando de todas as formas possíveis não perturbar a imaginação do outro.

Assim, a mulher se comporta do jeito que o homem quer que ela se comporte.

O homem se comporta do jeito que a mulher quer que ele se comporte.

Mas isso só pode durar alguns minutos ou algumas horas no máximo.

Uma vez que vocês se casem e tenham que viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada continuar fingindo alguma coisa que você não é.

Preencher a imaginação do homem ou da mulher, por quanto tempo você pode continuar representando?

Mas cedo ou mais tarde torna-se um peso e você começa a se vingar.

Você começa a destruir toda a imaginação que o homem criou em torno de você, porque você não quer ficar aprisionada nela; você quer se livrar daquilo e ser você mesma.

E a mesma é a situação com o homem: ele quer se livrar e ser ele mesmo. E esse é o conflito entre todos os amantes, em todas as relações.

A realidade é: somos sozinhos e estranhos. E será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos.

Podemos saber o nome um do outro, podemos ter visto o rosto um do outro muitas vezes – isso não importa.

Nossos seres estão tão escondidos e tão lá no fundo, que não há como poder tocar o ser de alguém, ou possa ver o ser de alguém – e é aí que reside toda a estranheza. Mas não acho que isso seja uma catástrofe. Pelo contrário sinto isso como uma benção.

Se não fôssemos estranhos seríamos robôs. Nossa estranheza nos dá individualidade, singularidade.



O texto acima é do grande mestre indiano Osho, autor de mais de mil pensamentos. Aprenda com ele, sempre que puder. Fiz apenas algumas alterações e mudei o título.

imagens: leloveimage

2 comentários:

Unknown disse...

nesse caso não seria melhor, "vc é meu cream chease do meu temaki"? mas realmente esse negócio de tampa da panela é mto complexo, somos todos diferentes e essas diferenças q nos completam...
bjos linda princesinha

Unknown disse...

cream cheese... foi mal! :D